Uma blockchain é um registo partilhado de transações, mantido por muitos computadores ao mesmo tempo, em que as novas entradas são acrescentadas em lotes chamados blocos e cada bloco está ligado ao anterior. Ninguém pode alterar discretamente uma entrada antiga, porque todos os blocos posteriores dependem dela e todos os participantes podem verificar o historial. É esta combinação, um registo partilhado muito difícil de reescrever, que torna os criptoativos possíveis sem que um banco central ou uma empresa de pagamentos mantenha a contabilidade.
Este guia explica o que é a blockchain, como funciona passo a passo, como as principais redes chegam a acordo sobre o que é verdadeiro e o que significa na prática quando usa criptoativos.
Pontos principais
- Uma blockchain é um tipo de registo distribuído: um registo de transações copiado por uma rede e mantido sincronizado por um conjunto de regras acordado.
- Os blocos estão encadeados com hashes criptográficos, pelo que alterar um registo antigo obriga a refazer tudo o que vem depois.
- As redes chegam a acordo sobre o bloco seguinte através de um mecanismo de consenso, mais frequentemente a prova de trabalho (Bitcoin) ou a prova de participação (Ethereum).
- As transferências na blockchain não podem, em geral, ser revertidas, e o mesmo token pode existir em várias redes.
- As blockchains são pseudónimas, e não anónimas: os endereços são públicos e as transações são visíveis.
O que é a blockchain?
O direito da UE usa o termo mais amplo tecnologia de registo distribuído. O MiCA define um registo distribuído como «um repositório de informações que mantém registos de transações», partilhado por uma rede de nós e mantido sincronizado através de um mecanismo de consenso. As autoridades europeias de supervisão acrescentam que «o tipo de registo distribuído mais conhecido é a blockchain», assim chamada porque armazena as transações em grupos, ou blocos, ligados uns aos outros por ordem cronológica para formar uma cadeia.
A ideia foi posta em prática pela primeira vez pela Bitcoin. O white paper de 2008 de Satoshi Nakamoto, «Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System», propôs uma forma de «enviar pagamentos online diretamente de uma parte para outra sem passar por uma instituição financeira». A sua resposta ao problema difícil, impedir que a mesma moeda seja gasta duas vezes sem um intermediário de confiança, foi uma cadeia pública de transações, ordenada no tempo, que todos podem verificar.
Como funciona uma blockchain?
O white paper da Bitcoin descreve o ciclo em seis passos. Aqui está ele, ligeiramente generalizado para se aplicar também a outras redes:
- As novas transações são difundidas a todos os nós.
- Cada nó reúne as novas transações num bloco.
- Os nós competem ou revezam-se para produzir o bloco válido seguinte, segundo as regras da rede.
- O bloco é difundido pela rede.
- Os nós só aceitam o bloco se todas as suas transações forem válidas e as moedas nelas incluídas ainda não tiverem sido gastas.
- Os nós constroem o bloco seguinte por cima dele, usando o hash do bloco aceite como «hash anterior».
Um hash é uma curta impressão digital de um conjunto de dados. Mude um carácter num bloco e o seu hash muda por completo. Como cada bloco contém o hash do anterior, os blocos formam uma cadeia: alterar uma transação antiga mudaria o hash do seu bloco, quebraria a ligação ao bloco seguinte e obrigaria o atacante a refazer todos os blocos posteriores, mais depressa do que o resto da rede.
As próprias transações são autorizadas com assinaturas digitais. Quem controla a chave privada de um endereço pode assinar uma transferência a partir dele, e qualquer pessoa pode verificar a assinatura com a chave pública correspondente. É por isso que são as chaves, e não a blockchain, aquilo que tem de proteger. O nosso guia sobre como funciona uma carteira de cripto explica as chaves em mais pormenor.
Prova de trabalho e prova de participação
Uma blockchain precisa de uma forma de milhares de computadores independentes chegarem a acordo sobre o bloco seguinte. É o mecanismo de consenso.
Prova de trabalho (proof of work). A Bitcoin usa-a. Os mineradores calculam repetidamente o hash de um bloco com valores diferentes até encontrarem um que cumpra um objetivo de dificuldade, o que exige um enorme esforço computacional, mas é fácil de verificar por todos os outros. O white paper chama-lhe «essencialmente um CPU, um voto»: ganha a cadeia com mais trabalho por trás. A Bitcoin ajusta a dificuldade para que os blocos continuem a surgir a um ritmo estável; o próprio exemplo do white paper pressupõe um bloco a cada 10 minutos.
Prova de participação (proof of stake). Os validadores bloqueiam a moeda da própria rede como participação e são escolhidos para propor e confirmar blocos. A EBA e a ESMA descrevem o staking como a imobilização de criptoativos para apoiar redes de prova de participação «em troca da concessão de privilégios de validador que podem gerar recompensas de bloco». A Ethereum passou da prova de trabalho para a prova de participação no Merge, a 15 de setembro de 2022, o que, segundo o ethereum.org, reduziu o seu consumo de energia em cerca de 99,95%.
De qualquer forma, o objetivo é o mesmo: tornar a batota muito mais cara do que o cumprimento das regras.
Blockchains públicas e permissionadas
A Bitcoin e a Ethereum são públicas: qualquer pessoa pode ler o registo, enviar transações ou gerir um nó. Os registos permissionados restringem quem pode participar e são muitas vezes usados por empresas e instituições financeiras para liquidação interna ou para ativos tokenizados. A ideia subjacente é a mesma; o que muda é quem pode escrever no registo. O nosso guia prático sobre tokenização analisa como os ativos do mundo real estão a ser colocados nesses registos.
Para que serve a blockchain?
- Criptoativos como a bitcoin e a ether, em que a blockchain é o registo de quem detém o quê.
- Stablecoins, tokens que procuram acompanhar uma moeda como o euro ou o dólar. Veja o que é uma stablecoin.
- Contratos inteligentes (smart contracts), programas em redes como a Ethereum que são executados automaticamente quando se verificam determinadas condições. São a base das finanças descentralizadas.
- Ativos tokenizados, representações digitais de coisas como obrigações ou fundos.
O que a blockchain não faz
Vale a pena esclarecer alguns equívocos comuns.
As suas moedas não estão «dentro» da sua carteira. A blockchain regista saldos associados a endereços. Uma carteira guarda, ou dá acesso a, as chaves que controlam esses endereços. Explicamos isto em onde é guardada a bitcoin.
Não é anónima. Os endereços não são nomes, mas todas as transações numa cadeia pública são visíveis para qualquer pessoa, e os prestadores regulados recolhem informação sobre a identidade dos seus clientes. Pseudónima é a palavra mais exata.
Não pode desfazer erros. Não há estorno. Uma transferência enviada para o endereço errado está normalmente perdida.
Não garante o valor do ativo. Uma blockchain é um registo fiável. Nada diz sobre se o token nela registado é um bom investimento.
Porque é que a rede importa quando usa criptoativos
Muitos tokens funcionam em mais do que uma blockchain. O USDC, por exemplo, era emitido de forma nativa em 38 blockchains em setembro de 2026, segundo a Circle. O token na Ethereum e o token na Solana são o mesmo ativo em vias diferentes, e não são intercambiáveis ao nível do endereço.
Isso tem uma consequência prática: quando envia ou recebe criptoativos, a rede tem de coincidir nos dois lados. Enviar um ativo numa rede errada ou não suportada pode significar que nunca é creditado e não pode ser recuperado.
A blockchain na Quppy
O Quppy Crypto é uma carteira custodial: o prestador aplicável detém e administra os criptoativos suportados, o utilizador não gere uma chave privada de autocustódia e usa a aplicação Quppy para deter, enviar, receber e trocar os ativos suportados. No EEE, esse prestador é a Payhound Limited, um prestador de serviços de criptoativos autorizado ao abrigo do MiCA pela Malta Financial Services Authority.
Aqui, como em todo o lado, as redes importam. A Quppy suporta atualmente BTC na rede Bitcoin, ETH e USDC na Ethereum e TRX na TRON, sujeitos à elegibilidade por país, prestador e conta. O USDT na Ethereum e na TRON só está disponível fora do EEE, e o suporte da Solana está indicado como para breve. Antes de qualquer transferência, escolha exatamente o mesmo ativo e a mesma rede nos dois lados, como explicado em o que acontece se usar a rede blockchain errada.
FAQ
O que é a blockchain, em termos simples?
Um registo digital partilhado de transações, copiado por muitos computadores e agrupado em blocos encadeados, de modo que o historial é muito difícil de alterar.
A blockchain é o mesmo que a bitcoin?
Não. A bitcoin é um criptoativo e a rede em que funciona. A blockchain é a tecnologia de registo que a Bitcoin introduziu e que muitas outras redes usam hoje.
Uma blockchain pode ser pirateada?
Reescrever o historial de uma grande blockchain pública é, por conceção, extremamente caro. A maioria das perdas tem outras origens: chaves roubadas, phishing, contratos inteligentes defeituosos ou plataformas comprometidas.
Quem controla uma blockchain?
Numa blockchain pública, nenhuma parte isolada. As regras são aplicadas pelos nós que executam o software, e as alterações exigem um amplo acordo entre eles. As blockchains permissionadas são controladas pelos seus operadores.
A blockchain é anónima?
Não. As blockchains públicas são pseudónimas: os endereços não são nomes, mas todas as transações são visíveis, e os endereços podem muitas vezes ser associados a pessoas através das plataformas que usam.
Informação geral, que não constitui aconselhamento financeiro.